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Reumatologia PUBLICADO EM 04/11/2016

Dor nas costas pode ser sinal de espondilite anquilosante

Patologia reumática afeta grandes articulações, como coluna, ombros e quadris

Participação da médica Gisele Martins, especialista em reumatologia

Dor nas costas pode ser sinal de espondilite anquilosante

Você já ouviu falar em espondilite anquilosante? Esse nome estranho refere-se a uma doença que pode atingir cerca de 1 em cada 100 indivíduos, afeta três vezes mais homens que mulheres e surge normalmente entre os 20 e 40 anos. Ela é um tipo de inflamação que atinge a coluna e as grandes articulações como os quadris, joelhos, tornozelos e ombros. Embora não exista cura, se tratada precocemente, é possível estacionar a progressão da doença e manter a mobilidade articular e a postura ereta.

Como a maioria das doenças de origem autoimune, a causa ainda é desconhecida, mas existe uma relação entre uma predisposição genética e o aparecimento da doença. Ou seja, indivíduos que herdam o marcador genético chamado HLA-B27 está 300 vezes mais suscetível a desenvolver a doença do que o indivíduo que não possui. Existe ainda uma associação das doenças inflamatórias intestinais e a psoríase, que é uma doença de pele com o aparecimento da espondilite anquilosante.

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As articulações são os locais mais afetados, mas o processo inflamatório pode afetar outros órgãos, gerando as manifestações extra-articulares da doença, como é o caso do acometimento ocular, chamado de uveíte (se manifesta clinicamente pelo olho vermelho). O pulmão é outro local que pode ser acometido, onde a inflamação pode gerar fibrose pulmonar. E o acometimento cardíaco, envolvendo a válvula aórtica, levando ao caso de insuficiência aórtica.

O diagnóstico é baseado no conjunto de sintomas (Febre baixa; Fadiga; Perda de Peso; Manifestações articulares, como dor lombar ou na região das nádegas, que normalmente se manifesta por mais de 3 meses; Dor e inchaço nas grandes articulações; E a rigidez matinal, que é o desconforto articular pela manhã), principalmente os articulares.

A médica Gisele Martins, especialista em reumatologia, afirma que “é muito importante uma anamnese detalhada para caracterizar o tipo de dor lombar que o paciente se queixa. Outra forma de diagnosticar é fazendo um exame físico para testar a mobilidade da coluna e das articulações. Por último, tem os exames complementares, tanto laboratoriais, na procura de evidências de inflamação e pesquisa do marcador genético, quanto de exames de imagem com o Raio-X de coluna ou a Ressonância Nuclear Magnética, nos estágios mais avançados da doença”.

O tratamento vai englobar o uso de medicamentos, fisioterapia, correção postural e exercícios, que devem ser adaptados para cada paciente. Em relação aos medicamentos, os que se usam são os anti-inflamatórios. Hoje, já existem os medicamentos imunobiológicos, que têm sido muito eficazes, tanto nos sintomas quanto no controle da atividade da doença.

Porém, o tratamento não é a cura. Doutora Gisele ainda acrescenta, que “ele vai objetivar o alívio dos sintomas e a melhora da qualidade e mobilidade da coluna, permitindo uma qualidade de vida tanto profissional quanto social”.

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