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Hepatologia PUBLICADO EM 12/04/2017

Transplante de Fígado pode ser feito entre duas pessoas vivas

Órgão tem capacidade de se regenerar, tanto no doador quando no transplantado

Participação do Dr. André Lyra, médico especialista em Gastroenterologia e Hepatologia

Transplante de Fígado pode ser feito entre duas pessoas vivas

Procedimento cirúrgico no qual um fígado é transplantado para outra pessoa, o transplante hepático é uma ação terapêutica indicada para pacientes com doenças crônicas ou incuráveis do órgão. É a substituição do fígado doente por um saudável, doado pela família de um paciente que teve morte encefálica ou, até mesmo, através de um doador vivo, quando um voluntário aceita doar apenas uma parte de seu fígado para o paciente, pois esse é o único órgão do corpo humano capaz de se regenerar, ou seja, voltar ao tamanho normal, ou quase normal, tanto no doador quanto no transplantado. Segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), somente em 2016, foram realizados 1880 transplantes de fígado no Brasil.

O fígado é um órgão que produz e metaboliza uma série de substâncias essenciais existentes no organismo, que inclui proteínas em geral, proteínas da coagulação, enzimas, hormônios, glicose e gorduras. Portanto, se o fígado não funcionar adequadamente, as consequências são significativas, uma vez que o corpo humano não pode exercer suas funções sem vários dos componentes descritos. Por isso, exames laboratoriais e a ultrassonografia do abdome são habitualmente os exames de triagem utilizados na avaliação inicial das doenças do fígado. Alterações da textura hepática visualizadas na ultrassonografia do abdome corroboram para o diagnóstico da cirrose hepática, por exemplo. Uma vez ocorrendo a suspeita da presença de uma doença hepática, são realizados exames mais específicos para melhor investigar a situação. Dentre os exames de sangue é importante destacar as enzimas hepáticas, em particular as aminotransferases, conhecidas como TGO e TGP.

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Existem critérios estabelecidos internacionalmente e adaptados, quando necessário, para o contexto do Brasil, que definem se o paciente é elegível ou não para o transplante de fígado. Portanto, nem todo o paciente com cirrose deve ou pode fazer o transplante. Isso é variável de acordo com o estágio da cirrose e as características constitucionais do indivíduo. De acordo com o Dr. André Lyra, médico especialista em Gastroenterologia e Hepatologia, “em geral, quando a cirrose já está em fase muito avançada e o paciente já desenvolveu as complicações da doença, é irreversível. Nesta situação, somente o transplante hepático é a solução. A cirrose tem que estar descompensada, o paciente não pode apresentar outras doenças graves que contraindiquem o procedimento e a idade não deve ser excessivamente avançada. É válido destacar, que o surgimento do câncer de fígado (carcinoma hepatocelular) pode ser uma indicação de transplante hepático, uma vez que sejam obedecidos os critérios estabelecidos específicos para esta situação”.

É importante ressaltar, que o fígado é um órgão que, ao ser agredido agudamente, tem uma ótima capacidade de regeneração e retorna ao estado prévio diante da agressão aguda. Por este motivo, existe o denominado transplante hepático intervivos. “Neste contexto, o indivíduo pode doar, em vida, parte do fígado para outra pessoa que necessita de um transplante hepático. Existem centros no Brasil com programas específicos para doação intervivos”, finaliza Dr. André Lyra.

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