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Psiquiatria PUBLICADO EM 19/09/2018

Cientistas dizem que depressão pode passar de mãe para filha

Estudo americano analisou semelhanças nas estruturas cerebrais entre gerações

Participação do Dr. André Gordilho, médico especialista em psiquiatria

Cientistas dizem que depressão pode passar de mãe para filha

A depressão é um distúrbio afetivo que acompanha a humanidade ao longo de sua história. Por conta disso, pesquisadores da Universidade da Califórnia, San Francisco (UCSF), liderados pelo Dr. Fumiko Hoeft, PhD, professor associado de psiquiatria, descobriram que a doença pode ser passada de mães para filhas. O estudo, publicado no Journal of Neuroscience, analisou o comportamento de 35 famílias a fim de procurar semelhanças nas estruturas cerebrais entre gerações. 

A equipe mediu o volume de massa cinzenta nos sistemas límbicos dos pais e filhos. Para fazer isso, eles usaram a ressonância magnética (RM). Esta é a primeira vez que a RM foi utilizada desta forma, para este tipo de estudo. Dr. Hoeft acredita que a ferramenta pode ser utilizada para investigar a depressão e outras condições neuropsiquiátricas herdadas, tais como ansiedade, autismo, esquizofrenia e dislexia. Os resultados mostraram muito mais semelhanças entre mães e filhas do que entre mães e filhos, pais e filhos ou pais e filhas. Dr. Hoeft enfatiza que isso não significa que as mães são responsáveis ​​pela depressão em suas filhas. “Muitos fatores desempenham um papel na depressão: genes que não são herdados da mãe, ambiente social e experiências de vida, por exemplo. Transmissão mãe-filha é apenas um desses fatores. [A pesquisa] abre a porta para novas investigações olhando para os padrões de transmissão entre gerações no cérebro humano”.

Os pesquisadores também esperam expandir seu trabalho para cobrir as áreas do cérebro responsáveis ​​pela linguagem e as recompensas e as redes envolvidas na psicose. Hoeft conclui: “Vamos lançar uma ampla rede, ganhar um monte de informações e maximizar essa oportunidade fantástica”.

“A causa, a gênese, da depressão ainda não é 100% elucidada, ela é multifatorial, o paciente pode ter componentes genéticos, componentes químicos/medicamentosos e componentes ambientais que geram a patologia. Doenças associadas podem contribuir também, assim como estudos de imagem vem demonstrando involução de partes cerebrais, como, por exemplo, os hipocampos em pacientes com depressões crônicas. Existem hipóteses sobre o que pode gerar o quadro depressivo, a mais aceita ainda é a hipótese monoaminérgica, ou seja, uma diminuição de determinados neurotransmissores, nas fendas sinápticas, na região dos neurônios. Com isso, fazendo com que o sistema nervoso central não funcione corretamente e levando a um quadro depressivo”, conclui Dr. André Gordilho, médico especialista em psiquiatria.

 

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