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Ginecologia e Obstetrícia PUBLICADO EM 30/07/2019

Fertilizações in vitro (FIV) crescem quase 20% no Brasil

Adiamento da maternidade é uma das razões do crescimento

Participação do especialista em Reprodução Humana, Dr. Joaquim Lopes

Fertilizações in vitro (FIV) crescem quase 20% no Brasil

Dados inéditos da Anvisa mostram que o número de fertilizações por meio de inseminação artificial está crescendo no Brasil. Segundo o 12º Relatório do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), em 2018, foram realizados 43.098 ciclos de fertilização in vitro (FIV), enquanto em 2017 foram 36.307 ciclos. Isso representa um aumento de 18,7% na quantidade de procedimentos. O documento aponta também que, em 2018, foram congelados 88.776 embriões, um crescimento de 13,5% em relação ao ano de 2017, com 78.216 embriões. A Gerência de Sangue, Tecidos, Células e Órgãos (GSTCO) da Anvisa afirma que as informações do relatório confirmam a tendência de alta desses números no Brasil.

Segundo o ginecologista especialista em Reprodução Humana, Dr. Joaquim Costa Lopes, o principal motivo do crescimento dos tratamentos de fertilização in vitro é o adiamento da maternidade. “Cada vez mais as mulheres estão engravidando mais tarde. E com o avançar da idade, tanto a quantidade como a qualidade dos óvulos ficam comprometidas, o que faz com que encontrem dificuldades para engravidar naturalmente”, diz. Problemas de fertilidade dos casais também justificam esses dados.

“O ideal seria que a mulher engravidasse na sua faixa de 20 a 30 anos, período de máximo potencial reprodutivo (…). Após os 40 anos, além da maior dificuldade para engravidar, a mulher ainda enfrenta o risco maior de abortamento, porque esses óvulos mais envelhecidos têm mais chances de ter alterações cromossômicas que levam, naturalmente, ao abortamento”, explica o diretor da Clínica Cenafert, de Salvador.

O que acontece, porém, é que nesse período da vida, a mulher pode não ter um parceiro ou pode estar fazendo um mestrado ou um doutorado ou assumir um cargo em uma nova empresa ou estar estudando para um concurso de olho em um cargo público. Diante desse cenário, “consequentemente, ela adia esse projeto maternal. Nesse caso, é muito importante que depois dos 30, a mulher procure pelo menos saber como está o potencial biológico dela em termos de capacidade reprodutiva. O congelamento de óvulos antes dos 35 pode ser uma opção interessante para quem pretende engravidar mais tarde”, frisa o Dr. Joaquim Lopes.

Riscos e vantagens da gravidez depois dos 40

Os riscos após os 40 anos para a mãe estão relacionados principalmente ao desenvolvimento de uma diabete na gravidez, além de outras patologias como a hipertensão e a pré-eclâmpsia, além da possibilidade maior de uma interrupção da gravidez. “Do ponto de vista da criança, como esses óvulos são mais envelhecidos, existe um risco maior de cromossomopatias”, explica o especialista.

Para o Dr. Joaquim Lopes, uma das vantagens da gravidez tardia diz respeito à maturidade do casal. Além disso, “muitos já têm uma estabilidade sócio-econômica que permite oferecer ao filho melhor estudo e melhor assistência médico-hospitalar, por exemplo, que são aspectos que soam como positivo para a gravidez após os 40 anos”, comenta.

Diferença entre a fertilização in vitro e a inseminação intrauterina

Muita gente confunde as duas principais técnicas de reprodução assistida utilizadas nas clínicas de fertilização. Na inseminação intrauterina, método mais simples, a fertilização pode acontecer naturalmente dentro do corpo da mulher depois que ela toma um hormônio para o amadurecimento dos óvulos e uma gota de sêmen concentrado é colocado dentro do seu útero, onde irá encontrar naturalmente o óvulo já maduro. Daí em diante, o organismo é responsável pela formação do embrião.

Já na FIV também usa-se um hormônio para estimular o desenvolvimento dos óvulos, porém em doses mais altas, e quando eles estão maduros, faz-se a coleta dos folículos (como se fosse a “casa” dos óvulos) do ovário. Esse material é enviado para laboratório, onde o embriologista avalia quais são os melhores para serem utilizados. O espermatozoide é então enviado para incubadora e, junto ao óvulo, é feita a fertilização, que resulta no embrião, colocado diretamente dentro do útero. “É o encurtamento de um processo. A partir daí, só precisamos torcer para que esse embrião seja implantado dentro do útero e a gravidez evolua”, finaliza o Dr. Joaquim Lopes.

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