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Medicina do Sono PUBLICADO EM 20/10/2015

Estudo revela que dormir 6,5 horas por noite são suficientes para descansar

Pesquisadores investigaram como as pessoas dormiam antes da era moderna

Estudo revela que dormir 6,5 horas por noite são suficientes para descansar

Um estudo publicado na revista Current Biology revela que dormir 6,5 horas por dia são suficientes para não precisar tomar remédios para insônia. Para investigar como as pessoas dormiam antes da era moderna, pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, investigaram o sono de três tradicionais sociedades de caçadores, grupos de nômades que vivem nas florestas: os Hadza da Tanzânia, os San da Namíbia e os Tsimane da Bolívia.

Nestas sociedades, os indivíduos são expostos, a partir do nascimento, à luz solar natural, e uma variação sazonal e diária contínua da temperatura. Jerome Siegel, autor das pesquisas, e seus colegas gravaram os hábitos de sono de 94 pessoas. Em horas, eles colheram dados equivalentes a 1.165 dias.

Apesar de terem estilos de vida diferentes, os três grupos tinham comportamentos similares e dormiam pouco menos de 6,5 horas por noite. Eles não tiravam cochilos regulares, nem iam dormir quando anoitecia. Em outras palavras, os seus hábitos de sono não são tão diferentes quanto os da chamada ‘sociedade industrializada’, embora eles normalmente não acordem antes do sol nascer. Em média, o tempo de sono dos grupos variavam entre 5,7 e 7,1 horas, com 6,9 a 8,5 horas entre o início e o fim do período de sono. Esses montantes são baixos em relação às horas de sono na zona urbana.

Também foram observados que os caçadores dormem uma hora a mais no inverno do que no verão e, apesar de não ter luz elétrica, nenhum grupo foi dormir com o sol. Em média, eles permaneceram acordados um pouco mais de três horas após o sol se pôr e acordaram antes do sol nascer. Ao que parece, o tempo de sono pode estar mais ligado com a temperatura do que com a luz. Todos os grupos foram dormir quando a temperatura caiu e dormiram durante a hora mais fria da noite, sugerindo que o ciclo diário de mudança de temperatura possa ajudar a regular o sono.

Em termos de saúde, os membros dos grupos não eram obesos, estavam em forma e saudáveis, com uma expectativa de vida entre 60-70 anos. Ou seja, a suposta redução na duração do sono foi associada a obesidade, transtornos de humor, além de outras doenças físicas e mentais; embora as queixas sobre distúrbios do sono têm sido documentadas desde a década de 80.

Siegel revela que “o sono curto nestas populações desafia a crença de que o sono tem sido bastante reduzido no mundo ‘moderno’. Isto tem implicações importantes para a ideia de que temos de tomar pílulas para dormir porque o sono foi reduzido de seu ‘nível natural’ pelo uso generalizado de eletricidade, televisão, internet, e assim por diante”.

Uma diferença importante entre as pessoas do mundo ‘moderno’ e os caçadores é que poucos sofrem de insônia crônica. Os pesquisadores acreditam que isso levanta uma possibilidade interessante, na medida em que se aspectos do ambiente natural experimentado por esses grupos poderem ser imitados, poderiam ajudar no tratamento de certos distúrbios do sono, particularmente a insônia.

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