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Hepatologia PUBLICADO EM 14/06/2017

Doenças Hepáticas: Desmistificando a hepatite

Participação do Dr. André Lyra, médico especialista em gastroenterologia e hepatologia

 

Doenças Hepáticas: Desmistificando a hepatite

Maior glândula do corpo humano, o fígado desempenha diversas funções vitais do organismo. Por isso, ele pode ser acometido por doenças distintas, tais como as hepatites, cirrose e até mesmo o câncer. Dentre os sintomas de problemas no fígado, estão a dor abdominal do lado direito e a barriga inchada, além de cor amarelada na pele e nos olhos e urina escura. Porém, muitas dúvidas ainda surgem a respeito do assunto. E para desmistificar um pouco mais sobre a hepatite, uma das doenças mais comuns que afeta o órgão, convidamos o Dr. André Lyra, médico especialista em Gastroenterologia e Hepatologia, para esclarecer as principais dúvidas sobre o assunto:

O fígado é o órgão responsável por abastecer o corpo quando nós estamos em jejum. As células do fígado, chamadas de hepatócitos, contém milhares de enzimas que são responsáveis pela metabolização das substâncias presentes no sangue. O fígado também é capaz de armazenar nutrientes e outras substâncias úteis, além de produzir proteínas e vitaminas essenciais para a saúde. Portanto, no processo de jejum, ele é um dos órgãos que continuam provendo nutrientes para o organismo.

O fígado é o único órgão do corpo que se regenera facilmente, porém, não é em qualquer situação. O fígado é um órgão que, ao ser agredido agudamente, tem uma ótima capacidade de regeneração e retorna o estado prévio de antes da agressão aguda. Todavia, quando agredido lentamente, ao longo de vários anos, como ocorre, por exemplo, com as hepatites crônicas virais, com o uso crônico abusivo do álcool, dentre outras condições que levam às doenças hepáticas, a sua via de regeneração é modificada, ele passa a se regenerar sobre a forma de fibrose hepática e que, com o tempo, pode se tornar uma cirrose hepática.

Pessoas magras também podem ter o fígado recheado de gordura. Embora a maioria dos pacientes com doença hepática gordurosa não-alcoólica apresentem algum grau de peso acima do ideal para a altura, existem casos, sim, de pessoas magras com esteatose hepática, uma vez que o componente genético também contribui para o surgimento da doença, além dos fatores ambientais.

Doenças hepáticas são diagnosticadas com exame simples de sangue. Na maioria dos casos, apenas exames laboratoriais de rotina ou testes sorológicos para hepatites virais, ou mesmo ultrassonografia do abdome, são suficientes para o diagnóstico de diversas doenças hepáticas. Evidentemente que existem casos mais complexos, que necessitam de uma investigação mais profunda, e, também, uma vez feito o diagnóstico, alguns pacientes da mesma forma irão precisar de exames adicionais para aprofundar a investigação.

Quem já teve diagnóstico de hepatite não pode doar sangue. Por uma questão de segurança, os bancos de sangue não aceitam doadores que tiveram hepatite após os 11 anos de idade. Quem tem marcadores sorológicos das hepatites virais B e C, sejam marcadores de infecção atual ou passada, também não podem doar sangue.

Hepatite não tratada pode se transformar num câncer de fígado. Uma vez que o paciente adquiriu hepatite C, por exemplo, e ele desenvolve a infecção crônica, cerca de 10 a 20% dos indivíduos cronicamente infectados vai evoluir com cirrose hepática depois de 20 a 30 anos de infecção. Estes pacientes com cirrose hepática, de fato, têm uma maior chance de ter câncer no fígado, que é chamado de hepatocarcinoma ou carcinoma hepatocelular. Pacientes com a infecção crônica pelo vírus da hepatite B também podem evoluir com cirrose e maiores chances de câncer de fígado. Ocasionalmente, o carcinoma hepatocelular pode surgir sem o paciente com hepatite crônica B estar na fase cirrótica. Portanto, todos os pacientes com infecção crônica pelo vírus C e B devem ser acompanhados periodicamente.

É importante ressaltar, que o paciente deve procurar um hepatologista quando diagnosticado com uma doença crônica do fígado. Já nos quadros clássicos de hepatite aguda viral A e B não é mandatório procurar um hepatologista, o clínico geral, habitualmente, pode conduzir este paciente. 

 

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