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Queimaduras PUBLICADO EM 17/11/2015

Curativo que muda de cor dá aviso precoce de infecção

Ainda em fase experimental, está prestes a ser testado em pacientes reais

Curativo que muda de cor dá aviso precoce de infecção

Queimaduras são feridas relativamente comuns, porém, caso infeccionem, podem se tornar um problema sério à saúde, principalmente em crianças. Muitas mortes por queimaduras ocorrem devido a sépsis (infecção sanguínea secundária provocada por uma infecção primaria que tenha acometido algum órgão) e até mesmo infecções mais leves podem prolongar a internação. A probabilidade de cicatrizes permanentes aumenta também com a infecção.

Em vista disso, pesquisadores da Universidade de Bath, em conjunto com o Centro de Cura da Fundação Children Burns, da Investigação e da Universidade de Brighton – todos no Reino Unido – criaram uma solução inovadora para essas questões graves: um curativo protótipo que muda de cor quando a ferida está infectada. 

O líder do projeto, Dr. Toby Jenkins, explica que “o curativo funciona liberando uma coloração fluorescente de nanocápsulas acionadas pelas toxinas secretadas por bactérias causadoras de doenças dentro da ferida. Essas nanocápsulas imitam células da pele que rompem apenas quando as bactérias tóxicas estão presentes; elas não são afetadas pelas bactérias inofensivas que vivem normalmente na pele saudável”.

O curativo experimental está nas fases iniciais de desenvolvimento, mas está prestes a ser testado em pacientes reais.

Diagnóstico de infecções por queimaduras
O diagnóstico de uma infecção bacteriana em pacientes com pequenas queimaduras pode ser complicado. A área em torno de uma ferida pode estar vermelha e inflamada, sintomas que indicam normalmente uma infecção. O menor desconforto do paciente também deve ser considerados. A remoção da cobertura de ferida é um processo desagradável e interferência com a lesão pode levar a tempos mais lentos cura.

Atualmente, leva cerca de 48 horas para diagnosticar definitivamente uma queimadura infectada. Dra. Amber Young também está envolvida com os estudos de descoberta precoce das infecções por queimaduras e revela que “as crianças estão particularmente em risco de infecção grave mesmo se a queimadura for pequena. No entanto, com os atuais métodos clínicos não dá pra saber se uma criança doente pode ter uma temperatura elevada devido a uma infecção bacteriana grave por queimadura, ou só por um simples resfriado”.

Biofilme bacteriano
A pesquisa mostrou que as bactérias que infectam uma ferida tendem a se reunir em biofilmes (comunidade de bactérias). Estas películas consistem de bactérias mutuamente ligadas, revestidas em polímero. Este inovador curativo funciona através da detecção destes biofilmes.

A equipe descobriu que a resposta através da mudança de cor é mais forte para bactérias de mesma origem genética, que são consideradas por produzir bons biofilmes. Isso poderia servir de indicador ainda mais específico no futuro. O sistema pode indicar não só a existência de uma infecção, mas também o tipo específico de bactéria que está presente.

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