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Alimentação PUBLICADO EM 24/11/2015

Dietas personalizadas são necessárias para combater obesidade e diabetes

Estudo afirma que as pessoas reagem de forma diferente a cada alimento 

 

Dietas personalizadas são necessárias para combater obesidade e diabetes

Já diz o ditado: a carne de um homem é o veneno de outro homem. Um novo estudo, publicado no jornal Cell, recomenda planos de nutrição personalizadas para ajudar as pessoas a identificar os alimentos necessários para atingir suas metas de saúde. Os pesquisadores do Instituto de Ciência Weizmann, em Israel, mostraram que, mesmo se todos comeram as mesmas refeições, o efeito será diferente de uma pessoa para outra, por causa do metabolismo.

Conduzido por Eran Segal, do Departamento de Ciência da Computação do Weizmann e Matemática Aplicada, e Eran Elinav, do Departamento de Imunologia, o estudo mediu os níveis de açúcar no sangue de 800 pessoas, durante uma semana, e constatou que o índice glicêmico de um determinado alimento não tem um valor definido, depende do metabolismo de cada indivíduo. Os participantes comeram os mesmos alimentos, além de terem anotado toda a ingestão de alimentos em um aplicativo no celular. Dados adicionais foram coletados por meio de questionários de saúde, medidas do corpo, exames de sangue, monitoramento de glicose e amostras de fezes.

Como esperado, a idade e o índice de massa corporal (IMC) foram associados com os níveis de glicose no sangue após as refeições. No entanto, os dados também revelaram que pessoas diferentes mostraram diferentes respostas ao mesmo alimento, mesmo que as suas respostas individuais não tenham alterado de um dia para o outro.

Uma mulher de meia-idade, com obesidade e pré-diabetes, que tinha tentado uma gama de dietas sem sucesso, percebeu que seus hábitos alimentares “saudáveis” podem ter contribuído para o problema. Seus níveis de açúcar no sangue aumentaram depois de comer tomates, que ela comeu várias vezes ao longo da semana do estudo. Para essa pessoa, uma dieta adaptada individualizada excluiria tomates, mas incluiria outros ingredientes que geralmente não são considerados saudáveis, mas ​​que são saudáveis para ela.

Por que existem diferenças?
Evidências crescentes ligam bactérias do intestino com a obesidade, intolerância à glicose e diabetes; este estudo confirma que micróbios específicos se correlacionam com a forma como ocorre a elevação do açúcar no sangue pós-refeição. Para compreender essas diferenças, foram realizadas análises de microbiota em amostras de fezes. Em intervenções dietéticas personalizadas entre 26 participantes do estudo, os pesquisadores foram capazes de reduzir os níveis de pós-refeição de açúcar no sangue e alterar a microbiota intestinal.

“Adaptar dietas para o indivíduo pode nos permitir utilizar a nutrição como um meio de controlar os níveis elevados de açúcar no sangue e suas condições médicas associadas”, acrescenta Elinav.

Os resultados sugerem que talvez precisemos de uma nova maneira de olhar para diabetes e obesidade. Os investigadores gostariam de simplificar o método utilizado para que pudesse ser aplicado a um público maior, que poderá então ser fornecido como relatório nutricional personalizado.

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