Nossas Entrevistas

Ortopedia e Traumatologia

Tema: Escoliose

Por Dr. Carlos Henrique Araujo Silva

(071) 21... Ver mais >

Viva Mais Viva Melhor – Desvio anormal no eixo da coluna vertebral, que a deixa em forma de “S”, a escoliose possui origem desconhecida, mas considera-se que se dá devido a uma malformação nas cartilagens de crescimento das vértebras. Por conta disso, geralmente o diagnóstico é feito na adolescência, período em que tem um maior crescimento. É possível suspeitar de uma escoliose na coluna quando a pessoa, posicionada com uma postura ereta, apresenta um ombro mais alto do que o outro, por exemplo. E para conversar conosco sobre este assunto, nós convidamos o doutor Carlos Henrique, médico ortopedista, especialista em cirurgia da coluna.

Doutor, primeiramente explica para os nossos ouvintes o que é a escoliose e quem é que está mais predisposto a desenvolver o problema?
Dr. Carlos Henrique – Escoliose é uma deformidade tridimensional na coluna vertebral, onde o desvio que mais chama atenção é a curvatura para a direita ou para a esquerda. Quanto a causa da escoliose, podemos definir algumas, como as escolioses secundárias a deformidades congênitas, secundárias a doenças neurológicas ou por tumorações. Porém, o tipo mais comum de escoliose é a idiopática, que a gente não consegue definir uma causa. Ela corresponde a 60 a 80% de todas as escolioses.

Viva Mais Viva Melhor – Doutor, quais seriam os fatores causadores da escoliose? O paciente nasce com a doença ou pode desenvolver ao longo da vida? 
Dr. Carlos Henrique – Existem casos em que ao nascimento já é possível identificar a escoliose provocada normalmente por uma má formação das vértebras. No entanto, na grande dos pacientes a escoliose se forma durante o crescimento. Quanto aos fatores causadores, 70 a 80% das escolioses não é possível identificar a causa, chamada de escoliose idiopática. Acredita-se que a causa seja uma doença ou uma predisposição genética familiar. Quanto aos fatores causadores, 60 a 80% das escolioses não é possível identificar a causa, que é o que chamamos de escoliose idiopática, acredita-se que a causa seja uma predisposição genética e familiar, porém ainda não foi possível comprovar esta teoria. 

Viva Mais Viva Melhor – Doutor, o peso da mochila pode provocar escoliose?
Dr. Carlos Henrique – Não! O peso da mochila não causa escoliose. Porém o excesso de peso na mochila pode piorar a escoliose existe por provocar dor em diversos problemas na coluna, como alterações musculares e nos discos intervertebrais. O ideal é que o peso da mochila não ultrapasse 10% do peso da criança e sempre deve ser vestida as duas alças, distribuindo o peso da mochila nos dois ombros. 

Viva Mais Viva Melhor – Com relação à atividade física, existe algum exercício que pode provocar uma escoliose? Quais seriam as atividades recomendadas?
Dr. Carlos Henrique – Nenhum exercício é capaz de provocar escoliose, muito pelo contrário. No tratamento de escoliose usamos a atividade física como parte do tratamento conservador em escoliose de baixa angulação. Atividades que trabalham toda a musculatura do tronco são mais recomendadas, como a natação e o pilates.

Viva Mais Viva Melhor – Como é que é feito o diagnóstico da escoliose, doutor? Existem exames específicos para se detectar o problema? Quais seriam eles?
Dr. Carlos Henrique – O exame físico bem realizado já é suficiente para dar o diagnóstico de escoliose. Na presença de qualquer sinal sugestivo da doença um ortopedista especialista em coluna deve ser consultado. Exames secundários como radiografias panorâmicas são necessários para a confirmação e graduação da doença, permitindo o planejamento do tratamento. 

Viva Mais Viva Melhor – Quais são os sintomas provocados pela escoliose.
Dr. Carlos Henrique – Os principais sintomas da escoliose são os referidos pelos familiares como má postura, são eles, assimetria dos ombros, um mais alto do que o outro, assimetria da cintura, assimetria das mamas e das escápulas. Em uma escoliose mais avançada a presença da gibosidade, popularmente chamada de corcunda, começa a ficar mais evidente. Na presença de qualquer alteração um especialista de coluna deve ser consultado.

Viva Mais Viva Melhor – Doutor Carlos, quais as opções de tratamento para a escoliose? O pilates, por exemplo, pode ajudar no tratamento?
Dr. Carlos Henrique – O tratamento da escoliose varia de acordo com a gravidade da doença. Pacientes que apresentam uma escoliose com uma curva mais suave, abaixo de 20° são tratados apenas com observação e atividades de fortalecimento da musculatura, como o RPG, pilates e atividades físicas. Pacientes muito jovens que apresentam uma curva mais avançada, entre 20 e 40° são candidatos a uso de coletes para correção da curva. Já curvas mais graves, normalmente acima de 45°, são candidatos ao tratamento cirúrgico. O planejamento do tratamento deve ser orientado pelo especialista, visto que há outros critérios que necessitam ser avaliados para um melhor tratamento da doença.

Viva Mais Viva Melhor – Quem tem escoliose vai sentir dores para o resto da vida?
Dr. Carlos Henrique – Não. A escoliose em si não dói. Assim, os portadores de escoliose não apresentam dor. Os pacientes que apresentam dor devem ser investigados por médico especialista na busca de uma possível causa da dor. A principal origem das dores num paciente portador de escoliose é a musculatura paravertebral, que se encontra enfraquecida e sobrecarregada.

Viva Mais Viva Melhor – Doutor, existem casos onde há a possibilidade de operar para tratar uma escoliose?
Dr. Carlos Henrique – Sim. Escolioses mais graves, com curvas acima de 45° em adolescentes ou 50° em adultos possuem indicação de tratamento cirúrgico. O objetivo da cirurgia é evitar a progressão da doença, impedindo a compressão de órgãos como o coração e pulmão, o que levaria a uma debilidade mais grave da saúde do paciente.

Viva Mais Viva Melhor – Como é que é feita a cirurgia da escoliose? A recuperação é muito demorada?
Dr. Carlos Henrique – A técnica mais usada hoje para o tratamento da doença é a correção da curva através de um acesso posterior, onde será realizada a artrodese, a fusão das vértebras, ou o uso de implantes metálicos como parafusos e barras. A cirurgia é realizada com monitorização da função neurológica do paciente, diminuindo muito os riscos da cirurgia. Quanto a recuperação pós-cirúrgica, é necessário um repouso nos primeiros dias, devido a possibilidade de dor, ficar em pé e começar a andar é liberado normalmente a partir do segundo dia e a reabilitação com a fisioterapia motora será iniciada em torno de 10 a 30 dias.

Viva Mais Viva Melhor – Podem haver complicações na cirurgia de escoliose?
Dr. Carlos Henrique – Sim. Como todo o procedimento cirúrgico, no tratamento da escoliose também há risco de complicações. A cirurgia para correção da escoliose é uma cirurgia de grande porte e com tempo prolongado. Com isso, inúmeros riscos estão envolvidos, como infecção, sangramento, trombose venosa profunda, paraplegia, dentre outros. No entanto, com a evolução da técnica e dos equipamentos de suporte este risco tem diminuído bastante.

Viva Mais Viva Melhor – Se não tratada a escoliose pode ser incapacitante?
Dr. Carlos Henrique – Sim. Uma escoliose grave não tratada pode evoluir com progressão da curva e compressão de órgãos como o coração e o pulmão, levando o paciente a uma insuficiência cardiopulmonar e debilidade na qualidade de vida.

Viva Mais Viva Melhor – As mulheres grávidas que vão alterar o eixo da coluna à medida em que a barriga for crescendo, podem desenvolver uma escoliose nesse período ou, caso tenha a doença, pode vir a agravar?
Dr. Carlos Henrique – A gravidez não provoca e nem piora uma escoliose. No entanto, mulheres que possuem uma escoliose estão gestantes devem fazer um bom trabalho de fortalecimento e equilíbrio muscular para que não venha a sentir dores devido à sobrecarga mecânica.

Viva Mais Viva Melhor – A escoliose tem cura, doutor?
Dr. Carlos Henrique – Sim. Na maioria dos pacientes a escoliose é autolimitada, ou seja, ao terminar o crescimento ela tende a estabilizar e manter-se assim para o resto da vida. Já a angulação de uma escoliose pequena, haverá a necessidade apenas de fazer uma atividade física regular para manutenção de um bom equilíbrio muscular. Caso a curva fique muito grande, pode ser necessário um tratamento cirúrgico que quando realizado também cura a doença.

Viva Mais Viva Melhor – Quais são os profissionais capacitados para o tratamento da escoliose? 
Dr. Carlos Henrique – O médico responsável pelo tratamento da escoliose é o ortopedista especialista em coluna. Como o tratamento é multidisciplinar, também faz-se necessário o auxílio do fisioterapeuta e do educador físico.

Viva Mais Viva Melhor – Os convênios de saúde, bem como o Sistema Único de Saúde (SUS), oferecem cobertura para o tratamento cirúrgico da escoliose?
Dr. Carlos Henrique – Sim, tanto o SUS quanto os convênios são obrigados a arcar com os custos do tratamento cirúrgico da escoliose.

Viva Mais Viva Melhor – E para finalizar, doutor Carlos, tem como se prevenir a escoliose?
Dr. Carlos Henrique – Não! Infelizmente os fatores que promovem a escoliose ou ainda são desconhecidos ou não podemos controlá-los. No entanto, quando diagnosticado precocemente é possível um tratamento com excelentes resultados.

Viva Mais Viva Melhor – Ok. Conversamos com o médico ortopedista doutor Carlos Henrique, especialista em cirurgia da coluna. Doutor, muito obrigada e até a próxima.