Qual a associação entre a trombofilia, a gravidez e as perdas gestacionais?

Viva Mais Viva Melhor - Trecho da entrevista com: Dr. Manoel Sarno

Publicado: 16 de janeiro de 2017 - Atualizado: 4 de junho de 2019

O que está bem estabelecido é a relação entre a trombofilia adquirida, que é a síndrome de antifosfolipídica, com o aborto de repetição e as perdas gestacionais tardias e o tratamento com a anticoagulação, que seria a heparina de baixo peso molecular ou heparina sódica, associada a aspirina que é o antiagregante plaquetário. Os dois tratamentos em conjunto reduzem em 54% o risco de uma nova perda gestacional. Isso é o que está bem segmentado na literatura.
Existem outros trabalhos falando sobre o gene da protrombina, a mutação do fator V, deficiência de proteína C, deficiência de proteína E, deficiência de antitrombina III e menos importante, mas muito comum, a mutação do metilenotetrahidrofolato redutase, que é uma enzima que pode acumular uma cisteína no organismo. Essas substâncias e essas alterações podem predispor a eventos adversos durante a gravidez, sejam abortos de repetição, seja redução de crescimento, pré-eclâmpsia, óbito fetal, alteração de líquido ou alteração de doppler. Pode-se fazer essa investigação frente a uma situação dessas. O ideal é que se faça essa investigação antes da mulher engravidar, a fim de reverter em boa parte das vezes esta questão da trombofilia numa próxima gravidez com o tratamento adequado.