Neurocirurgia com o paciente acordado: Passo a passo

Viva Mais Viva Melhor - Trecho da entrevista com: Dr. Igor Maldonado

Publicado: 27 de janeiro de 2017 - Atualizado: 4 de junho de 2019

A neurocirurgia começa com o indivíduo sob anestesia geral, uma anestesia um pouco diferente da habitual, pois o indivíduo não é entubado, é anestesiado através de um dispositivo chamado de máscara laríngea, ele respira com auxílio de aparelho, mas o tubo não vai dentro da garganta, não traumatiza tragicamente as cordas vocais. Durante esta primeira etapa, é feita a craniotomia e um bloqueio de couro cabeludo. Após isso, o indivíduo é acordado. Existe toda uma técnica anestésica para acordar o indivíduo com uma certa tranquilidade, sem nenhuma afobação. Para isso, o paciente é treinado previamente, ele sabe quem ele vai encontrar quando acordar, em que posição ele vai estar, qual a participação dele nesta etapa de mapeamento.
O paciente acorda e não sente dor, porque foi feito o bloqueio de couro cabeludo. O corte do osso já foi feito e isso não dói. A manipulação do cérebro em si, por incrível que possa parecer, também não dói. O indivíduo fica deitado com a cabeça fixa, tudo esterilizado, o cérebro exposto, ele não tem como ver nada. A partir daí, começa a etapa de mapeamento cerebral, que é realizado através de um aparelho próprio, um eletrodo, um estimulador cortical, que permite à equipe cirúrgica identificar, com relativa precisão, onde estão as áreas funcionais do cérebro (área responsável pela movimentação da mão, dos dedos, do antebraço, do braço, sensibilidade, linguagem, cálculo, etc). Este mapeamento, para ser preciso, precisa passar por uma série de razões técnicas, é preciso da colaboração do paciente. Por isso, esta etapa, que dura uns 30 a 40 minutos, precisa do paciente acordado.
Terminou o mapeamento, terminou pelo menos a maior parte da retirada do tumor, o paciente pode dormir de novo. O anestesiologista faz uma nova anestesia geral, desta vez pode ser com intubação, e a cirurgia termina.